sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Chorar não vale a pena, nada se compra com lágrimas. E por mais que eu saiba, é difícil fazer com que não escorram. Dói demais apertar os olhos e o coração quando não restam mais alternativas a não ser deixar sair o que te aflige, o grande problema é que quase sempre, os sentimentos são lágrimas transbordando dos olhos e molhando a camiseta. E deve ser por isso que existe a escuridão, para apertar os travesseiros e chorar, aliviando toda a dor e angústia aprisionadas dentro de nós num desabafo silencioso como o ar. Mas às vezes, o choro se torna desespero, e é impossível de se controlar, de dizer que não e apertar mais uma vez o coração aprisionando as lágrimas salgadas. E é exatamente assim que me sinto agora, é como se estivesse à beira da morte, não sei mais onde pisar, onde apoiar as mãos, não existe chão, não existem paredes, é um colapso nervoso. É quase como estar sem ar e respirar fundo sem reação. É como buscar algo que não existe: segurança, confiança. Até mesmo dos postes desconfio e das pessoas bem mais. Elas talvez sejam dignas de, mas não posso, antes que possa descobrir se sim, correria o risco de ser apunhalado, e sem defesa. Agora, meu mundo tem 60m² e janelas com cortinas cor de vinho, só como o que passa por debaixo da porta, algo como pizza e uma marmita diária. Não sei o que me trouxe a isso, acho que foi um fato isolado que ocorreu à anos atrás e não faço idéia do porquê desencadeou nisto, era apenas uma desilusão, só mais uma desilusão.

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